Arquivo para Yôga

Shiva, o primeiro yôgin

Posted in Mitologia with tags , , , , , , on 27/04/2009 by Evelyne Baldan

 

Na tradição hindu, Shiva é o destruidor, que destrói para construir algo novo, motivo pelo qual muitos o chamam de “renovador” ou “transformador”. As primeiras representações surgiram no período Neolítico (em torno de 4.000 a.C.) na forma de Pashupati, o “Senhor dos Animais”. A criação do Yôga, prática que produz transformação física, mental e emocional, portanto, intimamente ligada à transformação, é atribuída a ele.

Os símbolos de Shiva

O trishula
O tridente que aparece nas ilustrações de Shiva é o trishula. É com essa arma que ele destrói a ignorância nos seres humanos. Suas três pontas representam as três qualidades dos fenômenos: tamas (a inércia), rajas (o movimento) e sattva (o equilíbrio).

A serpente
A naja é a mais mortal das serpentes. Usar uma serpente em volta da cintura e do pescoço, simboliza que Shiva dominou a morte e tornou-se imortal. Na tradição do Yôga, ela também representa kundaliní, a energia de fogo que reside adormecida na base da coluna. Quando despertamos essa energia, ela sobe pela coluna, ativando os centros de energia (chakras) e produzindo um estado de hiperconsciência (samádhi), um estado de consciência expandida.

Ganga
No topo da cabeça de Shiva se vê um jorro d’água. Na verdade é o rio Ganges (Ganga) que nasce dos cabelos de Shiva. Há uma lenda que diz que Ganges era um rio muito violento e não podia descer à Terra pois a destruiria com a força do impacto. Então, os homens pediram a Shiva que ajudasse e ele permitiu que o rio caísse primeiro sobre sua cabeça, amortecendo o impacto e depois, mais tranqüílo, corresse pela Terra.

Lingam
Lingam (“emblema”, “distintivo”, “signo”), também chamado de linga, é o símbolo fálico de Shiva. Representa o instrumento da criação e da força vital, a energia masculina que está presente na origem do universo. Está associado ao poder criador de Shiva.

Damaru
O tambor em forma de ampulheta representa o som da criação do universo. No hinduísmo, o universo brota da sílaba ÔM. É interessante comparar essa afirmação com a conhecido prólogo do Evangelho de São João: “No princípio era o Verbo (a sílaba, o som). E o Verbo era Deus. (…) Tudo foi feito por Ele (o Verbo) e sem Ele nada se fez.”
É com o som do damaru que Shiva marca o ritmo do universo e o compasso de sua dança. As vezes, ele deixa de tocar por um instante, para ajustar o som do tambor ou para achar um ritmo melhor e, então, todo o universo se desfaz e só reaparece quando a música recomeça.

Fogo
Shiva está intimamente associado ao fogo, pois esse elemento representa a transformação. Nada que tenha passado pelo fogo, permanecerá o mesmo: o alimento vai ao fogo e se transforma, a água se evapora, os corpos cremados viram cinzas. Assim, Shiva nos convida a nos transformarmos através do fogo do Yôga. O calor físico e psíquico que essa prática produz nos auxilia a transcender nossos próprios limites.

Nandi
Nandi (“aquele que dá a alegria”) é o touro branco que acompanha Shiva, sua montaria e seu mais fiel servo. O touro está associado às forças telúricas e à virilidade. Também representa a força física e a violência. Montar o touro branco, significa dominar a violência e controlar sua própria força. Sua devoção por seu senhor é tão grande que sempre se encontra sua figura diante dos templos dedicados a Shiva. Ele está deitado, guardando o portão principal.

A lua crescente
A lua, que muda de fase constantemente, representa a ciclicidade da natureza e a renovação contínua a qual todos estamos sujeitos. Ela também representa as emoções e nossos humores que são regidos por esse astro. Usar um crescente nos cabelos simboliza que Shiva está além das emoções. Ele não é mais manipulado por seus humores como são os humanos, ele está acima das variações e mudanças, ou melhor, ele não se importa com as mudanças pois sabe que elas fazem parte do mundo manifesto. 

 

Os aspectos de Shiva

Natarája

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Neste aspecto, Shiva aparece como o rei (rája) dos dançarinos (nata). Ele dança dentro de um círculo de fogo, símbolo da renovação e, através de sua dança, Natarája cria, conserva e destrói o universo. Ela representa o eterno movimento do universo que foi impulsionado pelo ritmo do tambor e da dança. Em uma das mãos, ele segura o Damaru, o tambor em forma de ampulheta com o qual marca o ritmo cósmico e o fluir do tempo. Na outra, traz uma chama, símbolo da transformação e da destruição de tudo que é ilusório. As outras duas mãos, encontram-se em gestos específicos. A direita, cuja palma está a mostra, representa um gesto de proteção e bênçãos (abhaya mudrá). A esquerda representa a tromba de um elefante, aquele que destrói os obstáculos.
Natarája pisa com seu pé direito sobre as costas de um anão. Ele é o demônio da ignorância interior, a ignorância que nos impede de perceber nosso verdadeiro eu. O pedestal da estátua é uma flor de lótus, símbolo do mundo manifestado.

 

Pashupati

Shiva PashupatiPashupati (“senhor dos animais”, de pashu, “animais”, “feras”, “bestas”, e pati, “senhor”, “mestre”) é uma das primeiras representações de Shiva e surgiu no neolítico, por volta de 4.000 a.C.. É representado com três faces, olhando o passar do tempo (passado-presente-futuro). A coroa em forma de cornos de búfalo evidencia a proximidade de Shiva com esse animal que representa as forças da terra e da virilidade. Pashupati está sentado em posição de meditação, o que nos faz pensar que as técnicas meditativas já existiam naquele período. Os quatro animais ao seu redor são o tigre, o elefante, o rinoceronte e o búfalo. Por ser o Senhor das Feras, Pashupati podia meditar entre elas sem ser atacado. 

 

Ardhanaríshvara

Shiva  ArdhanaíshwaraNesta representação, Shiva aparece unido a sua esposa Parvati. O lado direito da estátua é claramente masculino, apresentando os atributos de Shiva: a serpente, o tridente, etc. Do lado esquerdo, vemos uma figura feminina, com os trajes típicos, o brinco feminino, etc. Esse aspecto de Shiva representa a união cósmica entre o princípio masculino (Shiva) e o feminino (Parvati), entre a consciência (Shiva) e a matéria (Parvati).

 

 

 

 

Shankara 
Shiva ShankaraShankara significa literalmente aquele que toca a concha. Hoje pode ser considerado um aspecto que compõe a mitologia hindu. Shiva Shankara é o Shiva meditante, com o colar de rudraksha no pescoço, isolado nas montanhas, sentado sobre pele de um tigre. Encontra-se em Rishikêsh, nos Himalayas, a mais bonita escultura de Shiva Shankara de toda a Índia. Representa o criador do Yôga com a anatomia realista e a musculatura digna de um praticante dessa filosofia.

 

 

 

 

Aula prática com DeRose aberta para alunos

Posted in Eventos with tags , , , , , on 14/01/2009 by Evelyne Baldan

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Este é o primeiro post do meu blog e eu gostaria que o assunto fosse algo muito especial. E esta prática será um acontecimento histórico!

Pela primeira vez em mais de vinte anos, DeRose ministrará uma prática completa de SwáSthya Yôga (ashtánga sádhana) aberta para alunos. A prática será no dia 14 de fevereiro, em comemoração ao Dia do Yôga, e contará com 600 participantes.

Em Curitiba, já estamos fretando ônibus para levar nossos alunos e instrutores para participar.

Leia mais no blog do DeRose.